MANIFESTO DOS PASSARINHOS.

O belo natural não é vitrine, a beleza natural é vida. Em defesa da Amazônia, das florestas tropicais, das florestas urbanas, de um futuro mais humano e sustentável para todos os seres humanos e desumanos, o Manifesto dos Passarinhos reafirma a importância da proteção das florestas frente ao descontrolado desmatamento abusivo. A ausência de políticas reais e seguras no controle do desmatamento da Amazônia e de outras florestas tropicais contribui para a redução da biodiversidade.

“Senhoras e Senhores, adultos e crianças, apresentamos a delicada situação que estamos vivendo perante a velocidade do desmatamento que assola nosso habitat. Corremos o risco de desaparecer. Não somos um movimento ecológico. Somos seres que vivem e dependem da existência da natureza. Entendemos suas necessidades. Compreendemos que dela são retirados os seus alimentos. Sabemos o quanto é vital o oxigênio que ela lhes dá. A importância da madeira para suas moradias. O prazer e as emoções que batem o coração de vocês. Então perguntamos: por que essa destruição? Nossas árvores são nossos abrigos Vocês convivem com ela, mas ignoram o seu valor. Vocês exploram, deformam, queimam. Depositam os seus lixos. Fazem dela o ouro ilusório estimulando o terror. Vocês abraçam a crueldade. Para que serve uma flor de plástico? E uma folha queimada? Floresta devastada, pássaros mortos, animais encarcerados, crianças famintas são a estetização da vida e do consumo humano? Não somos objetos decorativos. Não somos figuras de cera. Somos arquitetos do nosso patrimônio. Contra o corte e o fogo. As grades e os flagelos. Contra as falácias das vozes. Por um olhar verde, hortas urbanas, piqueniques no parque. Pelo frescor das sombras das árvores, abrigos aos infortúnios Pelo cumprimento das leis de conservação das florestas Caminhem conosco nessa Jornada Verde!”   Isabela Saramago.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Sambando na Via!

Pois é, há ciclistas que confiam no ‘samba’ na rua que pedala.

No caminho do meu trabalho, passou um cilcista pedalando na faixa amarela que divide simbolicamente a via em duas direções. Inacreditável a coragem e ousadia do rapaz. A Rua das Laranjeiras na Cidade do Rio de Janeiro é uma via muito movimentada. Conecta o Bairro Largo do Machado ao acesso do Túnel Rebouças. Muito estreita em relação ao intenso fluxo por situar em um bairro tipicamente residencial com comércio e escolas.

Mas o imprudente ciclista desprovido de responsabilidade arriscava a sua vida ‘sambando’ entre os carros que passavam. Tudo bem que essa atitude fosse uma carência, mas porque envolver terceiros provocando possíveis colisões? Há uma ciclovia nessa rua.

É difícil mesmo compreender: se não tem ciclovia reclamam da falta, se tem – ignoram!

Infelizmente existe cidadão mal-educado sem respeito ao próximo.

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Cácere Privado.

Somos prisioneiros do mundo atual. Problemas sociais como desemprego, falta de moradia, educação qualificada, disputas territoriais entre outros, são fatores que resultam em uma série de crises e problemas econômicos estimulando a violência urbana em nossas cidades. Medo de ser assaltado, medo de balas perdidas, medo de ser agredido, medo de perder o emprego, medo de não conseguir fechar o mês, medo de chegar atrasado pela falta de transporte, medo da falta de sinal da internet, medo de ser exposto, medo … medo … medo …

Vivemos num Cárcere Privado onde a liberdade é uma utopia.

 

CÁRCERE PRIVADO – Escultura em metal reciclado + madeira de reflorestamento. Minha autoria, 2017.

 

Cárcere Privado

Densidade.

Li recentemente o livro da Jane Jacobs – “Morte e Vida das Grandes Cidades”. Escrito em 1961, este livro descreve a importância das cidades serem densas para uma cidade saudável. É incrível a visão realista da autora.

Morei na Barra da Tijuca por 23 anos.  É um bairro espraiado onde vários grupos residenciais se alternam entre edifícios altos e baixos, multifamiliares ou unifamiliares, núcleos comerciais expandida por quilômetros de distância. O Plano Urbanístico proposto pelo arquiteto urbanista Lúcio Costa, seguia a receita americana colocando a mobilidade centrada no transporte motorizado individual. (LÚCIO COSTA, 1995). Posso dizer que adorava essa facilidade de usar o carro para ir na farmácia, no botequim (na verdade o que existe são lojas de conveniências instaladas dentro de postos de gasolina), no banco, pois era fácil encontrar estacionamento seguro e gratuito. Vale ressaltar que era desgastante quando esquecia de comprar alguma coisa pois não dava para ir a pé nem de ônibus – só mesmo usando o carro. Usar a bicicleta também era complicado porque não havia (e acredito que ainda não há) bicicletário e paraciclos. Mesmo assim para mim naquela época era prazeroso.

Mas uma coisa me incomodava muito. Não havia encontros casuais com os amigos. Apenas nos shoppings centers, na praia, nos clubes ou nos mercados. As calçadas não são usadas porque as distâncias entre os estabelecimentos são enormes. Não podemos desconsiderar a importância da presença de pessoas ao longo do dia, pois além de ser saudável, contribui para a segurança.

Jane Jacobs destaca, “a calçada deve ter usuários transitando ininterruptamente, tanto para aumentar na rua o número de olhos atentos quanto para induzir um número suficiente de pessoas” e continua “além do mais, nenhuma pessoa normal pode passar a vida numa redoma … todos precisam usar as ruas”.

Anexei algumas imagens tiradas na Avenida das Américas em diferentes pontos. Percebe-se a presença de carros apenas.

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É importante tornar as cidades densas. Misturar residências e comércio. Colocar a acessibilidade como fator fundamental para que mais pessoas possam caminhar. E sem dúvida, promover a mobilidade urbana com transporte coletivo eficiente atendendo diversos pontos do bairro.