Densidade.

Li recentemente o livro da Jane Jacobs – “Morte e Vida das Grandes Cidades”. Escrito em 1961, este livro descreve a importância das cidades serem densas para uma cidade saudável. É incrível a visão realista da autora.

Morei na Barra da Tijuca por 23 anos.  É um bairro espraiado onde vários grupos residenciais se alternam entre edifícios altos e baixos, multifamiliares ou unifamiliares, núcleos comerciais expandida por quilômetros de distância. O Plano Urbanístico proposto pelo arquiteto urbanista Lúcio Costa, seguia a receita americana colocando a mobilidade centrada no transporte motorizado individual. (LÚCIO COSTA, 1995). Posso dizer que adorava essa facilidade de usar o carro para ir na farmácia, no botequim (na verdade o que existe são lojas de conveniências instaladas dentro de postos de gasolina), no banco, pois era fácil encontrar estacionamento seguro e gratuito. Vale ressaltar que era desgastante quando esquecia de comprar alguma coisa pois não dava para ir a pé nem de ônibus – só mesmo usando o carro. Usar a bicicleta também era complicado porque não havia (e acredito que ainda não há) bicicletário e paraciclos. Mesmo assim para mim naquela época era prazeroso.

Mas uma coisa me incomodava muito. Não havia encontros casuais com os amigos. Apenas nos shoppings centers, na praia, nos clubes ou nos mercados. As calçadas não são usadas porque as distâncias entre os estabelecimentos são enormes. Não podemos desconsiderar a importância da presença de pessoas ao longo do dia, pois além de ser saudável, contribui para a segurança.

Jane Jacobs destaca, “a calçada deve ter usuários transitando ininterruptamente, tanto para aumentar na rua o número de olhos atentos quanto para induzir um número suficiente de pessoas” e continua “além do mais, nenhuma pessoa normal pode passar a vida numa redoma … todos precisam usar as ruas”.

Anexei algumas imagens tiradas na Avenida das Américas em diferentes pontos. Percebe-se a presença de carros apenas.

Barra01                   Barra3                          Barra5

É importante tornar as cidades densas. Misturar residências e comércio. Colocar a acessibilidade como fator fundamental para que mais pessoas possam caminhar. E sem dúvida, promover a mobilidade urbana com transporte coletivo eficiente atendendo diversos pontos do bairro.

Pedestre em primeiro lugar!

http://www.arch2o.com/dubai-launch-flying-car-july-2017/

Essa é a estratégia que Paris adotou desenvolvendo projetos voltados para o ato de caminhar por toda a cidade. Seguindo outras cidades da Europa, Paris cada vez mais coloca a mobilidade urbana em primeiro lugar, visando principalmente a segurança dos pedestres.

Veja a reportagem de ArchDaily, por Constanza Martinez Gaete, tradução Romullo Baratto.

 

“Sabe com quem você está falando?”

Pois é, essa tão famosa frase foi dita alguns dias atrás por um cidadão que se exercitava sobre a calçada de passeio. Seu Personal montou uma pequena academia justamente sobre a calçada dos pedestres. É sabido por todos que a calçada é a via de passeio dos pedestres. Questionado com educação, perguntei porque foi montado justamente naquela área se alguns metros depois havia espaço suficiente para se exercitar próximo as instalações dos equipamentos de ginástica. A resposta foi curta: ‘Eu pago um dos IPTU mais caro do Rio de Janeiro e me exercito onde eu quiser”.

Por azar do cidadão, logo reconheci que é um profissional atuante na área de arquitetura e teatro. Uma pena.

É verdade que em muitos pontos da cidade as calçadas são mal cuidadas, são usadas como lixeiras, não são sinalizadas adequadamente mas isso não dá o direito de ocupá-la. Infelizmente no Brasil para a maioria, os pedestres são vistos como pragas urbanas. Faz-se a urgência de campanhas direcionadas às definições do que é calçada, ciclovia, ciclofaixa e área de lazer, para que a mobilidade funcione de maneira recíproca.